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quarta-feira, 25 de maio de 2011

GADELHA NO MUNDO


Os Gadelha não têm sua história registrada nos livros de linhagens portuguesas.
O apelido aparece escassamente aqui e acolá, para logo em seguida sumir, esconder-se na forma de outros sobrenomes, o que era comum, então, pela facilidade com que se adotava um novo apelido e como se costumava mudá-los, adotando armas de outras famílias para sua descendência.
Etimologicamente, a palavra "Gadelha" vem de guedelha ( ghê.dê.lha) que juntamente com os antigos castelhanos "vedeja"e "vedija" significa pêlo enrolado em qualquer parte do corpo, mecha ou de cabelos.
Com sentido figurado, Gadelha traduz-se por lucro, confiança ou esperança. Nesse sentido, poderia representar os que buscavam essas necessidades através da atividade comercial. A expressão "ter gorda guedelha" significa ter proveito, lucro e "ter guedelha em alguém", ter arrimo, amparo. Gadelha pode também significar mal gênio; "tener mala guedeya" nas Astúrias traduz-se por ter mal gênio; "vê-se com alguém às guedelhas" significa "travado, pelejado." Parece que todas estas expressões estão referenciadas aos cabelos, como ao aspecto desgrenhado de uma cabeleira após uma luta corporal. Não fica difícil entender porque Gadelha é sinônimo de diabo - o Gadelhudo.
Algumas raras biografias aparecem nas enciclopédias e livros de História, como por exemplo, Mestre Guedelha que foi piloto de Américo Vespúcio; o judeu Abrahão Guedelha, médico e astrólogo do Infante D. Pedro, tio de Afonso V e o médico e astrólogo Guedelha Goleimo que serviu aos reis D. Duarte, D. Afonso V e ao Infante D. Henrique. Este apelido é comum entre os israelitas.
Somente aqui no Brasil aparece um registro sistematizado da família portuguesa Gadelha, desde sua vinda nos tempos coloniais, por ocasião das Guerras Holandesas, para o Nordeste Brasileiro. Antonio José Victoriano Borges da Fonseca, antigo governador do Ceará-Grande, dedicou dois títulos de sua monumental obra, a "Nobiliarquia Pernambucana", prefaciada em 1748, à origem e primeiras descendências do casal Manuel da Costa Gadelha e D. Francisca Lopes. Inicia sua descrição referindo-se aos Gadelha, como uma "nobre família" e que Manuel da Costa Gadelha era português, natural de Lisboa ou Cartaxo, batizado na Pia de São João e que aqui veio para lutar contra os holandeses.
Afirma que Manuel da Costa Gadelha era Cavaleiro da Ordem de Cristo, Governador das Armas do Rio São Francisco em 1675; que deixou testamento de 1633 e faleceu em 1694. Está sepultado na Matriz de São Cosme e Damião em Igarassu (Igaraçu). Chegou primeiramente na Bahia onde se casou com D. Francisca Lopes, da família Leitão Arnoso, fidalgos da Casa Real. Cita o nome de seus pais e de dois irmãos; um que voltou para Portugal e outro que de lá nunca saiu, que exercia as funções de Familiar do Santo Ofício. Descreve a linhagem dos Gadelhas e as vinculações com outras famílias nobres, inclusive com a dele e a dos Albuquerques, antigos donatários de Pernambuco.
Tenho ainda duas outras referências. A primeira, um manuscrito encontrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro sobre Genealogias, da autoria de um Mendonça, referindo-se à família Gadelha. A segunda, uma indicação de uns escritos de um advogado chamado José Inácio da Silveira Gadelha, conservados no Mosteiro de São Bento, também no Rio de Janeiro. Quanto à Heráldica, percebe-se que o brasão do Padre José Gomes da Costa Gadelha, nascido em 1743 e neto paterno do Coronel de Cavalaria de Igaraçu, Jorge da Costa Gadelha (o primeiro do nome) e de sua segunda esposa D. Mariana Teixeira da Silveira e Albuquerque, é cópia do brasão de seu avô materno Antonio Gomes Pacheco, capitão vitalício de Itamaracá e com carta de brasão de Armas em 20 de novembro de 1696.
Seu brasão tinha as Armas dos Gomes e dos Pachecos; "de azul, com um pelicano de ouro, ferido de vermelho no ninho", como Armas dos Gomes e "de ouro com duas caldeiras de negro, uma sobre a outra, cada caldeira carregada de três faixas de veirado de ouro e de vermelho, com as asas veiradas dos mesmos esmaltes, serpentíferas de quatro peças de negro, duas para dentro e duas para fora", dos Pachecos. No Brasonário de Portugal de Armando de Mattos, encontramos na figura 844, o brasão dos Gadelhas que se identifica totalmente na figura e descrição, com o número 908, dos Lacerdas. Não sei por que esta identidade heráldica. Estaria ela ligada à etimologia das duas palavras? Lacerda, ou como se dizia primitivamente "La Cerda", é um substantivo feminino que como Guedelha significa cabelos, na língua castelhana. Diz-se que esse apelido Lacerda provém do rei Afonso X, o Sábio de Castela e de sua mulher, D. Violante de Aragão, por seu filho mais velho, D. Fernando de La Cerda, ter nascido em 1256 "com uma Guedelha de cabelos no peito".
Essa família real de Castela não sucedeu nos reinos de D. Afonso, o Sábio, pois D. Fernando de La Cerda morreu em vida do pai e seu irmão D. Sancho usurpou o trono de sua descendência. Teria esta descendência se ligado consanguineamente aos Gedalias ou Guedelhas, assim justificando a adoção de seu brasão de Armas?
Este brasão é descrito da seguinte maneira por Armando de Mattos: "Partido: I. de vermelho com um castelo de oiro cortado de prata, com um lião de vermelho armado de oiro.II. de azul flor lisado d'oiro
Timbre: O leão de escudo." No Armorial Lusitano encontra-se a seguinte descrição para o brasão dos Lacerdas: "As armas dos deste apelido, tanto em Espanha como em Portugal são: Partido: o primeiro de vermelho com um castelo de ouro (Castela), cortado de prata, com um leão de púrpura, armado e lampassado de vermelho (Leão); o segundo de azul semeado de flores-de-lis de ouro (França).
Timbre: O leão do escudo." No belo Armorial Português de G.L. Santos Ferreira, na página 162, encontra-se o escudo no. 746 "Guedelhas: Usam as Armas dos Lacerdas" e na página 175, encontramos a figura 804 dos Lacerdas de La Cerda (antigo) 1 De vermelho, com um castelo de oiro, cortado de prata, com um leão de vermelho armado de oiro; 2 de azul semeado de flores de liz de oiro.
Timbre: O leão do escudo." "Parti: au 1. de gueules, à un château d'or; mi-coupé d'argent, au lion de gueules, armé d'or; au 2. de France ancien. Cimier: Le lion de l'écu."
A referência dessa obra na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro era: Cat. BN 929.6 F 383. A V. 1

Obs.
Outras referências sobre os Gadelhas (Guedelhas) : 1. Mendonça, Genealogias, M S, Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 2. Salvador de Moya - Anuário Genealógico Latino - Volume I, Ano 1949, página 51- Origem de algumas famílias portuguesas: GUEDELHA: Usam o brasão de armas dos Lacerdas 3. Salvador de Moya - Anuário Genealógico Brasileiro - Volume IX, Ano 1947, página 291- Alguns brasões de armas portuguesas: 746 - GUEDELHA : Usam as armas dos Lacerdas. 4. Santos Ferreira (G. L.) - "Armorial Português", Lisboa, 1920 - 23.Referência : Salvador de Moya- Revista Genealógica Brasileira, Ano VI - 1°. e 2°. semestre de 1945, número XI e XII, página 79.


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