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domingo, 10 de abril de 2011

O Barroco Brasileiro


Síntese 

O Barroco no Brasil foi introduzido no início do século XVII pelos missionários católicos jesuítas, que trouxeram o novo estilo como instrumento de doutrinação cristã.
O Barroco apareceu no Brasil quando já se haviam passado cerca de cem anos de presença colonizadora no território; a população já se multiplicava nas primeiras vilas e alguma cultura autóctone já lançara sementes.
Impulsionado pelo ouro e pela multiplicação de igrejas o barroco português aos poucos adquiriu traços brasileiros. 
O azulejo que não suportava a subida da serra no lombo das mulas, foi trocado por painéis pintados. A pedra-sabão substituiu o mármore e a pedra de lioz. As igrejas e capelas tornaram-se menores, já que eram construídas para atender a uma só confraria. Aos poucos, na medida em que tiveram filhos com escravas, os artistas portugueses repassaram as técnicas a artesãos mestiços.
A sintonia com a terra e a cultura artística local filtrava a reinterpretação dos modelos europeus. As paredes curvas se misturavam às retas, as cores avivaram-se com a luz dos trópicos e os santos ganharam feições amulatadas e os anjinhos morenos receberam viçosas perucas loiras.

Os três ciclos do Barroco colonial:
 





 No Brasil, o Rococó teve sua presença no mobiliário do século XVIII e foi chamado de “estilo Dom João V”.
Principais Características:
  • Cores claras;
  • Tons pastéis e douramento;
  • Representação da vida profana da aristocracia;
  • Representação de Alegorias;
  • Estilo decorativo.
  • Possui leveza na estrutura das construções.
  • Unificação do espaço interno, com maior graça e intimidade.
 Segundo Silvio Vasconcelos, para entender a formação e evolução da arquitetura mineira, podem ser considerados quatro períodos:
  • 1700-1720: Rivalidades entre mineiros. Construção de pequenas capelas com uma nave única. Estruturas de madeira.
  • 1720-1760: Definição dos centros urbanos e construção das igrejas matrizes. Formação cultural. Máxima exploração das minas de ouro.
  • 1760-1810: Período de apogeu arquitetônico e cultural, em geral. Capelas filiais. Atuação de Antônio Francisco de Lisboa, o Aleijadinho, Domingo Moreira de Oliveira e Francisco de Lima Cerqueira. Produção do ouro em descenso e esgotamento. Fase em que a maioria das grandes construções foram erigidas com total diferenciação entre as classes ou raças: os brancos erguiam Igrejas ao santíssimo Sacramento e os negros erguiam Igrejas à Nossa senhora do Rosário.
  • 1810-1860: Decadência econômica, e da atividade construtiva. Persistência formal e ressurgimento de esquemas do período formativo. Ausência de influências neo-clássicas. Na 4ª fase a criatividade se estendeu se estendeu a arquitetura civil e surgiram os sobrados e sobradões, com relevo bem irregular, o arruamento no meio dos morros mineiros, obrigou a erigir andar sobre andar para melhor aproveitamento do terreno montanhoso.
 Fonte: http://cms-oliveira.sites.uol.com.br/barroco_no_brasil_gasparini.html. Acesso 01 mar 2011

A pintura

As primeiras pinturas criadas do Brasil foram realizadas sobre pranchas de madeira, em um estilo proto-barroco e subsidiárias à decoração em talha. Apareceram em meados do século XVII em edifícios das ordens religiosas, como o Convento de Santo Antônio no Rio de Janeiro, e o Convento de São Francisco, em Olinda, dos mais antigos do país. Porém a maioria dos primeiros trabalhos de pintura se perdeu em incêndios ou em modernizações.
Sobrevivem raríssimos exemplos de afrescos no Mosteiro de São Bento no Rio, mas não há registro de disseminação da técnica ou de continuadores.
Também neste período inicial surgem Baltazar de Campos, que chegou ao Maranhão em 1661 e produziu telas sobre a Vida de Cristo para a sacristia da Igreja de São Francisco Xavier, e João Felipe Bettendorff, também no Maranhão, decorando as igrejas de Gurupatuba e Inhaúba.
Outros nomes que merecem nota são o frei Ricardo do Pilar, com uma técnica que se aproxima da escola flamenga e autor de um esplêndido Senhor dos Martírios, Lourenço Veloso, formado em Lisboa, Domingos Rodrigues, Jacó da Silva Bernardes e Antonio Gualter de Macedo, que atuaram em diversos locais entre Pernambuco e Rio de Janeiro.
O século seguinte veria a pintura florir em inumeráveis igrejas em todas as regiões do país, ainda que por mãos em grande parte anônimas.
Em 1732 Caetano da Costa Coelho introduz na Capela-Mor da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, do Rio a primeira pintura de perspectiva arquitetural ilusionística no Brasil, uma técnica que logo ganharia muitos adeptos e teria uma culminação com José Joaquim da Rocha no teto da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, entre 1773 e 1774.
Outros nomes são Domingos da Costa Filgueiras, Jesuíno do Monte Carmelo, Antônio Simões Ribeiro, Manuel da Cunha, Manuel de Jesus Pinto e João de Deus Sepúlveda estes dois últimos deixando bela decoração na Concatedral de São Pedro dos Clérigos.
José Eloy, em Olinda, e José Leandro de Carvalho, no Rio, já mostram um estilo perfeitamente rococó. José Teófilo de Jesus é figura singular, um dos maiores representantes da escola baiana, de talento superior e com um estilo polifacetado, abordando também temas mitológicos e alegóricos, cuja obras de maior vulto surgem já no século XIX, e permanece em atividade até cerca de 1847 pouco tocado pelo neoclassicismo.
Em Minas trabalham muitos artistas, como Manuel Rebelo e Souza, Joaquim José da Natividade, Bernardo Pires, João Nepomuceno Correia e Castro, e a presença maior de Mestre Ataíde, grande mestre da pintura barroca brasileira.
 A pintura do barroco brasileiro encerra sua trajetória a partir do início do século XIX com o apoio oficial ao neoclassicismo, mas em regiões mais afastadas do Rio, continuou até pelo kenos metade do século.

OS PRIMEIROS GÊNIOS

Antônio Francisco Lisboa era um artista famoso em Vila Rica, que gostava de "mesa farta" e "danças vulgares", segundo seu biógrafo. Mas, aos 40 anos, pegou lepra?(Escorbuto? Reumatismo? Sífilis? Não se pode afirmar ao certo o nome da doença que o acometeu. Tornou-se amargurado e recluso. Com um cinzel amarrado no punho, fez obras-primas como o santuário de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas (MG). Considerado o maior gênio da arte barroca brasileira.
Foi o mestre-de-obras português, Manuel Francisco Lisboa, que formou Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, seu filho.
Em 1790, os artistas mulatos e livres já predominavam nos cargos de “oficial” e “mestre”.
Características da escultura de Aleijadinho:
  • Olhos espaçados
  • Nariz reto e alongado
  • Lábios entreabertos
  • Queixo pontiagudo
  • Pescoço alongado em forma de V


Mestre Valentim A maior expressão do Barroco no Rio de Janeiro da segunda metade do século XVIII. O artista mais conhecido e pesquisado do Rio de Janeiro colonial, onde viveu a maior parte de sua vida e faleceu em 1813, apenas duas esculturas religiosas têm atribuição segura em sua obra conhecida, as imagens de São Mateus e São João Evangelista, hoje no acervo do Museu Histórico Nacional.
Valentim da Fonseca e Silva era filho de um contratador português e de uma crioula brasileira. Foi levado  pelo pai a Portugal, onde viveu até os 25 anos, retornou ao Brasil em 1770. Durante a vida em terras lusitanas, aprendeu o ofício de escultor e entalhador.  Mestre Valentim, tornou-se num dos nomes mais importantes da arte colonial brasileira, além de reconhecido na construção e arte civil. Era um artista que misturava o estilo rococó ao barroco.





Manuel da Costa Ataíde
Obra Destacada - pintura do Teto da Igreja de São Francisco de Assis.
Pintou várias igrejas de Minas Gerais com um estilo próprio. Usava cores vivas e alegres e  deu um colorido especial ao barroco mineiro com a cor azul de que tanto gostava.




Padre Antonio Vieira (1608-1697)
Jesuíta que veio para o Brasil com 18 anos. Na Bahia, pregou contra as invasões holandesas. No Maranhão, defendeu os índios contra a escravização.
Em Lisboa, foi diplomata e amigo do rei d. João IV. De volta à Europa, virou confessor da rainha da Suécia.
Escreveu Os Sermões, monumento da literatura portuguesa.

Gregório de Matos (1633-1696)
Escritor baiano, filho de senhor de engenho português. Estudou em Coimbra, foi juiz em Portugal e tesoureiro do Arcebispado da Bahia.
Abandonou a advocacia e virou poeta, famoso pela sátira e pelo erotismo.
Seu livro Boca do Inferno valeu-lhe a deportação para Angola. Morreu em Pernambuco, impedido de voltar à Bahia.


José Joaquim da Rocha, considerado o maior pintor da Bahia no período colonial.

José Pereira Arouca – um dos principais construtores de Mariana do século XVIII
Leia mais em: http://alexbohrer.blogspot.com/2010/04/jose-pereira-arouca.html

Francisco Xavier de Brito, escultor português, radicado no Brasil, acabou influenciando a obra do mestre Aleijadinho. Em 1747 deu inicio à decoração da Capela-Mor da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, partindo do risco original de Francisco de Barros Barriga, no qual realizou profundas alterações.

José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita e Marcos Coelho Neto são a maior representatividade da música barroca. 

Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830)
Músico e compositor carioca. Escreveu peças para canto baseadas em harmonia seqüencial (a repetição da frase em outro tom). Tocava em igrejas e na Corte.
Até o século XIX não se imprimia música no Brasil, as partituras eram importadas ou copiadas à mão.
Até hoje, foram descobertas apenas 100 peças do período colonial brasileiro. 

Algumas obras:



Os símbolos da fé revigorada
 
Anjinhos – os anjos meninos erma símbolos do amor divino.
Flores – representações da beleza da alma e da fugacidade das coisas.
Conchas – conchas de vieira e coquilles de vieira e coquilles de Saint-jacques, pregadas no peito, identificavam os peregrinos que iam ao santuário de Santiago de Compostela, na Espanha, no século XI.
Pelicano – metáfora do amor materno. A ave bica a si própria para oferecer o sangue aos filhos.
Espinhos – os emaranhados ásperos lembravam a consciência da dor do pecado.
Palmas- os feixes de folhas sugeriam o triunfo de Jesus sobre o martírio.
Cachos de uva – ramos de videira e uva evocavam o sangue de Cristo. 



MÚSICA

A primeira notícia de conjunto de músicos profissionais no Brasil é de 1717, formado para a chegada do conde de Assumar à vila de São João del Rei. Desde então, a música sempre foi uma atividade remunerada por todo o ciclo do ouro.
O seminário de Mariana foi o núcleo formador de músicos, seminaristas e leigos, instruídos por padres da região. Ecos dessa produção só ocorreram pelos idos de 1770, com José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, que alcançou grande sucesso com sua vasta obra marcada pelas influências de Mozart e Pergolesi.

Os compositores procuravam estar informados sobre a música européia e graças ao trabalho dos copistas, a divulgação da música se deu por toda a região de Minas Gerais.
Em Minas Gerais, no século XVIII, existiu um profissionalismo musical maior que no resto do continente americano.
Essa produção artística, sempre dependeu da vitalidade e das condições econômicas das agremiações religiosas e seus mantenedores.
No Brasil, a música do fim do século XVIII, pode ser chamada de pré-clássica, pois revela influência decisiva de compositores como Mozart, Haydn e Pergolesi.

Moda barroca




Sugestão de Livros e Filmes: 

Fonte:
http://saber.sapo.ao/wiki/Barroco_no_Brasil
http://www.artesacra.com.br/site01.php
http://www.infoescola.com/biografias/mestre-valentim/
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/barroco/arte-barroca-8.php

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