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domingo, 23 de agosto de 2009

O nosso folcore está desaparecendo

Esta semana presenciei o planejamento de um projeto sobre o folclore, onde 4 professores do Ensino Fundamental 1, discutiam como introduziriam os temas de suas aulas: meio ambiente,divisão e soma, produção de texto ... Eles trabalham nas escolas da zona rural, ou seja, na Educação do Campo e estavam elaborando um projeto para ser desenvolvido em duas semanas.

Uma professora dizia “tu contas uma lenda e introduz o assunto do meio ambiente”; a outra dizia que não, que iria contar uma fábula, mas não sabia qual - na verdade ela nem sabia se havia diferença entre lenda e fábula, podia ser qualquer uma; a professora que coordenava o planejamento deu a sugestão de procurar saber sobre a história do lugar, quem seria mesmo o padroeiro da comunidade, porque a igrejinha já havia mudado uns três padroeiros e ninguém sabia por que motivo, seria uma boa idéia conhecer a cultura local, outro professor sugeriu a idéia de ensinar aos alunos produzirem os “cordéis com versos de 6 estrofes, mas não precisaria rimar...”

O desejo de entrar na conversa e dar minha opinião foi grande, mas a curiosidade de saber como acabava o planejamento foi maior e mantive-me quieta, mas observando tudo curiosamente.

Em nenhum momento eu ouvi o grupo de professores mencionarem os cordelistas da região, falaram de alguns versos que leram nos livros dos alunos. Também não ouvi ninguém interessado em conhecer as danças, as lendas da região, os artesãos locais, os sanfoneiros, as benzedeiras... Mas houve um momento em que o grupo disse que não poderia deixar os alunos fazerem uma pesquisa porque eles poderiam querer apresentar a “macumba”.

Gente! Nessa hora acho que os professores perceberam que eu estava bisbilhotando por causa da minha cara de espanto, mas consegui manter a minha neutralidade.

O final do planejamento não me surpreendeu, terminou sem grandes surpresas, com os professores apressados e incertos do que iriam mesmo trabalhar no projeto, mas uma coisa ficou certa: a culminância do projeto com dramatizações, comidas típicas e exposição dos trabalhos...

Infelizmente é isso, todo mês de agosto fala-se em folclore, em manifestações folclóricas como se estas fossem algo muito distante, como se a cultura popular não fizesse parte do cotidiano das pessoas. E no campo, apesar do avanço da tecnologia, graças a Deus ainda se mantém algumas tradições (embora por pouco tempo) e, dá para se resgatar muito da cultura popular, só precisamos primeiramente, nos conscientizar para depois mostrarmos para nossos alunos a importância de mantermos as nossas raízes, as nossas tradições.

Em algumas viagens que fiz por algumas regiões pude presenciar algumas cenas: acalantos, adágios, adivinhações, benditos, brincadeiras, superstições. Muitas crianças ainda brincam de pião, de carrinhos de rolimã, de cavalinho de pau, de bonecas feitas de pano e de sabugo de milho, de bunda-canastra e “adivinhando chuva”.

E nos festejos dos santos padroeiros, além de cantar os benditos e rezar as novenas, as pessoas de todas as idades – jovens, velhos, crianças – participam de brincadeiras de roda, cirandas... Sempre depois das novenas acontecem os leilões das jóias que as pessoas oferecem. E o que motiva os jovens a participarem dos festejos não é exatamente a fé, mas as paqueras, a diversão.

Mas infelizmente tudo isso desaparecerá muito em breve, pois na maioria das comunidades rurais aonde a televisão chegou - assim como nas cidades - os costumes, as tradições foram pouco a pouco esquecidos, caíram em desuso. Muito já desapareceu e o que ainda existe está com os dias contados.

Glossário

ACALANTOS - são cantados pelas mães do mundo todo para adormecer seus filhos: 1. "Boi, boi, boi/Boi da cara preta/Vem pegar este menino/Que tem medo de careta"; 2. "Xô, xô, pavão/Sai de cima do telhado/Deixe meu filho dormir/Seu soninho sossegado"; 3. "Nanai, meu menino/Nanai meu amor/A faca que corta/Dá talho sem dor". O mesmo que cantiga-de-ninar, berceuse, cantiga-pra-botar-menino-pra-dormir.

ADÁGIO - é uma das fórmulas clássicas da sabedoria popular. Tem forma rítmica, com sete sílabas. Os brasileiros não fazem diferença entre adágio, anexim, rifão, máxima, ditado, dito, e não obedecem ao número de sílabas. Exemplos: Pimenta nos olhos dos outros é refresco, Filho de burro um dia dá coice, Pé de galinha não mata pinto, Quem anda na garupa não pega as rédeas, Sombra de pau não mata cobra, Mulher de janela, nem costura nem panela.

ADIVINHAÇÃO - a adivinhação é universal. Pode ser em prosa, como: "O que é, o que é? Cai em pé e morre deitado? (chuva)"; "O que é, o que é? Tem quatro pés, mas não anda? (mesa)"; "O que é, o que é? Nasce grande e morre pequeno? (vela, lápis)"; "O que é, o que é? De dia está no céu (da boca) e de noite está na água (no copo)? (dentadura)". A adivinhação pode ser em verso, como a do vinho e do vinagre: "Somos iguais no nome,/ Desiguais no parecer;/ Meu irmão não vai à missa,/ E eu não posso perder,/ Entre bailes e partidas,/ Todas lá me encomendarão;/ Nos trabalhos de cozinha/ Isso é lá com meu irmão".

ADIVINHANDO–CHUVA - Quando um menino está trelando muito, ou um adulto apronta alguma, diz-se que estão adivinhando chuva.

BENDITOS - 1. Canto religioso entoado pelas pessoas que acompanham as procissões: - "Bendito, louvado seja, o Santíssimo Sacramento". 2. Orações cantadas pedindo uma graça a Deus e aos santos. No sertão, quando está demorando muito a chover com o povo morrendo de fome e o gado já não tendo mais pasto, as famílias se reúnem para cantar o: - "Meu pai, meu Senhor,/ De nós tenhais dó,/ Que a seca está grande,/ Está tudo em pó". E muitos versos se seguem, mostrando a devoção do povo e pedindo chuva.

BUNDA-CANASTRA - É a brincadeira que consiste em apoiar a cabeça no chão e, com as pernas, tomar um impulso para cair sentado. Canastra é o nome que o povo dá às costas, espáduas. Também é um jogo de cartas.

Dicionário http://www.soutomaior.eti.br/

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Quantos agoras perdemos esquecendo que o risco pode ser a salvação de muitas alegrias de nossas vidas... O medo que nos impede de sermos ousados agora, também está nos impedindo de vermos a linda pessoa que podemos ser. (Clarice Lispector)